Quase um terço dos cursos de Medicina tem desempenho insuficiente

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Avaliação do MEC aponta que apenas 13,6% das graduações alcançaram nota máxima; instituições com baixo desempenho sofrerão sanções

Cerca de um terço dos cursos de Medicina do Brasil não atingiu o nível considerado proficiente no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, de acordo com balanço divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) nesta segunda-feira (19). Ao todo, 351 cursos participaram da avaliação, cujas notas variam de 1 a 5, sendo que os conceitos 1 e 2 são classificados pelo ministério como não proficientes.

Entre os cursos avaliados, apenas 49 — o equivalente a 13,6% do total — obtiveram nota máxima. As notas do Enamed também compõem o conceito do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), utilizado como referência para a regulação dos cursos superiores no país.

Dos 351 cursos analisados, 304 estão sob supervisão direta do MEC, o que inclui universidades federais e instituições privadas com ou sem fins lucrativos. As universidades estaduais e municipais não estão sujeitas à regulação federal. Entre as instituições supervisionadas pelo ministério, 99 cursos terão algum tipo de sanção.

As medidas anunciadas incluem a suspensão de vestibular para oito cursos, redução de 50% das vagas em 13 graduações e corte de 25% das vagas em outros 33 cursos. Além disso, 45 cursos ficarão impedidos de ampliar o número de vagas. Também estão previstas a suspensão do acesso ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e a reavaliação da participação dessas instituições em outros programas federais.

A Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) abrirá processos administrativos para acompanhar os casos. As instituições poderão apresentar recursos e justificativas. Caso não sejam aceitos, as sanções permanecerão até que os cursos obtenham novo conceito satisfatório em avaliações futuras.

Os dados indicam que o pior desempenho foi registrado entre universidades municipais, das quais 87,5% receberam notas 1 ou 2. Em seguida aparecem as instituições privadas com fins lucrativos (58,4%), instituições especiais (54,6%) e privadas sem fins lucrativos (33,3%). Entre as universidades federais, 5,1% ficaram nas faixas mais baixas, enquanto nas estaduais o índice foi de 2,6%.

O ministro da Educação, Camilo Santana, informou que o governo pretende enviar ao Congresso Nacional uma proposta para permitir que o MEC também possa supervisionar universidades municipais. Já o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o Enamed oferece um diagnóstico mais preciso da formação médica no país.

Criado em abril de 2025, o Enamed substituiu o Enade específico para Medicina e ampliou o número de questões de 40 para 100. A partir de 2026, o exame também deverá ser aplicado aos estudantes do quarto ano do curso.

Fonte: Assessoria

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