Ação da Polícia Civil no Norte Pioneiro apreendeu 33 dispositivos proibidos pela Anvisa e ocorreu após morte de adolescente e apelos de autoridades de Saúde

Uma operação da Polícia Civil do Paraná resultou, na tarde de quinta-feira (8), na prisão em flagrante de uma mulher suspeita de comercializar cigarros eletrônicos em Santo Antônio da Platina, no Norte Pioneiro. A ação integra a operação denominada “Vapor da Morte”, deflagrada para coibir a venda de dispositivos eletrônicos para fumar (DEF), cuja comercialização é proibida no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A operação foi coordenada pela Delegacia de Polícia Civil de Santo Antônio da Platina, sob liderança do chefe da 12ª Subdivisão Policial, delegado Amir Salmen, com apoio de delegados e agentes das cidades de Jacarezinho, Joaquim Távora e Cambará. As diligências ocorreram em estabelecimentos comerciais previamente indicados por denúncias.
Segundo a Polícia Civil, a iniciativa foi motivada pela morte recente de um adolescente de 16 anos, caso que teve ampla repercussão nacional, além de solicitações dos poderes públicos locais. Entre elas, pedido formal da Secretaria Municipal de Saúde e a aprovação da Lei Municipal nº 2.404/2025, sancionada pelo Executivo após tramitação na Câmara de Vereadores, que prevê ações de enfrentamento à comercialização de cigarros eletrônicos no município.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, diversos estabelecimentos foram fiscalizados. Em um deles, uma vendedora foi flagrada com 33 cigarros eletrônicos, armazenados em uma caixa. Ela foi presa em flagrante pelo crime de receptação qualificada e encaminhada às providências legais cabíveis.
A Polícia Civil informou ainda que, além do óbito citado, outros casos de internações e mortes de adolescentes estariam sendo investigados por autoridades de saúde, com possível vínculo ao uso de dispositivos eletrônicos para fumar.
Riscos à saúde
Órgãos de saúde nacionais e internacionais alertam que o uso de cigarros eletrônicos apresenta riscos significativos à saúde. Entre eles estão a dependência de nicotina, doenças pulmonares — como bronquite, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e a lesão pulmonar associada ao uso de produtos de cigarro eletrônico (EVALI) — além de problemas cardiovasculares, como aumento da pressão arterial e risco de acidente vascular cerebral (AVC).
Estudos indicam que os aerossóis inalados podem conter substâncias tóxicas, como metais pesados, formaldeído e acroleína. A Organização Mundial da Saúde (OMS) ressalta que os cigarros eletrônicos não são isentos de riscos e não devem ser considerados alternativa segura para a cessação do tabagismo.
Caso que motivou mobilização local
O caso que impulsionou ações mais rigorosas no município envolve a morte do adolescente Vítor Gabriel da Silva, de 16 anos, ocorrida no final de novembro de 2025. O jovem estava internado com complicações pulmonares e não resistiu, apesar do atendimento em unidade de terapia intensiva no Hospital Regional de Santo Antônio da Platina.
Após o falecimento, familiares solicitaram apoio da sociedade e das autoridades para reforçar campanhas de conscientização e fiscalização, destacando que a comercialização dos dispositivos é proibida no país. A causa da morte foi apontada como infecção generalizada, associada ao uso do cigarro eletrônico.
A Polícia Civil informou que as ações de fiscalização devem continuar na região, com o objetivo de coibir o comércio ilegal e prevenir novos casos.
Fonte: Polícia Civil
