
Levantamento da Rais mostra concentração de renda na base do mercado de trabalho e desigualdade salarial entre empregados com carteira assinada
Um levantamento com base em dados oficiais revela que a maior parte dos trabalhadores com carteira assinada no Brasil está concentrada nas faixas salariais mais baixas. De acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), compilados até dezembro de 2024 e divulgados pelo site Poder360, cerca de 53% dos empregados formais recebem até dois salários mínimos por mês.
No fim de 2024, o país contabilizava aproximadamente 45,1 milhões de trabalhadores com vínculo formal, excluídos aprendizes e contratos temporários. Desse total, apenas 1,1 milhão de pessoas — o equivalente a cerca de 2,5% — tinham rendimentos superiores a dez salários mínimos mensais, o que corresponde a valores acima de R$ 15.180, considerando o piso atual.
Os dados indicam que a distribuição salarial dos trabalhadores formais segue um formato de pirâmide, com ampla concentração na base. Cerca de 81,4% dos empregados recebiam até cinco salários mínimos, faixa que engloba rendimentos de até R$ 7.590. Já a parcela com salários mais elevados representa uma fração reduzida do total de vínculos registrados.
Segundo o levantamento, além dos 53% que ganhavam entre zero e dois salários mínimos — aproximadamente até R$ 3.036 —, cerca de 10,5% dos vínculos empregatícios não apresentavam informações salariais detalhadas nos registros oficiais.
A divulgação desses dados ocorre em um contexto de debate jurídico no país. O Supremo Tribunal Federal (STF) analisa uma ação de repercussão geral relacionada à pejotização, prática em que trabalhadores deixam de ser contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e passam a atuar como pessoas jurídicas. A discussão envolve os limites legais desse tipo de contratação e possíveis impactos sobre direitos trabalhistas e relações de trabalho.
O estudo também aponta que a contribuição previdenciária dos trabalhadores com salários mais altos tem peso limitado no financiamento do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em razão da existência de um teto de contribuição. Em 2025, o valor máximo mensal a ser recolhido ao sistema previdenciário é de R$ 951,62, independentemente do nível de remuneração do trabalhador.
Os números reforçam o retrato de desigualdade salarial no mercado de trabalho formal brasileiro e são utilizados como referência em análises sobre renda, previdência e políticas públicas relacionadas ao emprego.
Fonte: Assessoria
