Proposta prevê dois dias de descanso semanal e reacende debate entre trabalhadores e setor produtivo

O governo federal passou a tratar como prioridade a proposta de extinguir a escala de trabalho 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e descansa apenas um. A medida foi defendida nesta semana pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que afirmou haver alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a adoção de uma jornada no formato 5×2.
De acordo com o ministro, a proposta busca garantir ao trabalhador ao menos dois dias de descanso por semana, além de reduzir a jornada máxima para 40 horas semanais sem diminuição salarial. A iniciativa é considerada estratégica dentro do governo, tanto do ponto de vista social quanto político.
A defesa da mudança ocorre em meio a um cenário de debate ampliado sobre condições de trabalho no país. Integrantes do governo argumentam que a revisão da jornada pode contribuir para a melhoria da qualidade de vida, redução de doenças relacionadas ao trabalho e maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Por outro lado, representantes do setor empresarial demonstram resistência à proposta. Entre as principais preocupações estão o possível aumento de custos operacionais e a necessidade de ampliação do quadro de funcionários para manter o funcionamento das atividades, especialmente em segmentos como comércio, serviços e indústria.
Atualmente, a jornada de trabalho no Brasil é regulamentada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e pela Constituição Federal, que estabelecem limite de até 44 horas semanais, permitindo a distribuição ao longo de seis dias.
O tema deve avançar ao longo do ano com discussões entre governo, Congresso Nacional e representantes de trabalhadores e empregadores. A proposta, se formalizada, ainda precisará passar por tramitação legislativa antes de eventual implementação.
Fonte: Assessoria
